AVABRUM realiza o lançamento dos livros da CPI do Rompimento da Barragem de Brumadinho

Para a Associação, investigações feitas pela Câmara dos Deputados e ALMG foram fundamentais para o andamento do processo criminal da tragédia

Aconteceu na noite de quinta-feira, 30 de junho, no Centro de Convivência dos Familiares das Vítimas Fatais do Rompimento da Barragem de Brumadinho, o lançamento dos livros das CPIs (Comissões Parlamentares de Inquérito) que investigaram as causas e responsabilidades pela tragédia, que deixou 272 mortes, em 25 de janeiro de 2019.

Os dois livros – cujos títulos são “Rompimento da Barragem de Brumadinho” (CPI da Câmara dos Deputados) e “Opção pelo risco: causas e consequências da tragédia de Brumadinho” (CPI da Assembleia Legislativa de Minas Gerais) – trazem a público os relatórios finais das investigações dos parlamentares. Para a Associação dos Familiares de Vítimas e Atingidos pelo Rompimento da Barragem Mina Córrego do Feijão (AVABRUM), os trabalhos foram fundamentais para o andamento do processo criminal.

“As CPIs foram fundamentais para o processo criminal e a vida dos familiares, e a gente continua contando com o apoio de vocês, pois a nossa luta ainda não acabou”, afirmou Alexandra na abertura da cerimônia de lançamento. A vice-presidente da AVABRUM, Andresa Rodrigues, leu um trecho do livro “Opção pelo risco” e agradeceu os deputados pelo cuidado com as palavras escritas. “Eu os parabenizo pela sensibilidade, pois vejo que o texto dialoga com os familiares”, afirmou.

O deputado federal Rogério Correia, que foi relator da CPI na Câmara dos Deputados, relembrou o acidente de Mariana, ocorrido em 2015, e fez duras críticas à mineração predatória no estado de Minas Gerais. “A indústria da mineração não zelou pelas vidas das 272”, afirmou.

A deputada estadual Beatriz Cerqueira destacou a importância de se valorizar a memória em nome das vítimas. “Quero deixar o meu abraço solidário aos familiares e transformar esse luto em luta. A nossa tarefa é sempre fazer o melhor pelos que não estão aqui, porque a memória coletiva é muito importante”, pontuou a deputada.

Relator da CPI da ALMG, André Quintão fez alguns relatos sobre os percalços enfrentados pelos deputados durante a investigação. Ele disse que houve dificuldades para a finalização do relatório, mas reafirmou que a CPI foi realizada em memória das 272 joias, como são chamadas as vítimas fatais de Brumadinho. “Para quem perde uma vida humana não há reparação”, disse.

A autora do livro “Opção pelo risco: causas e consequências da tragédia de Brumadinho” (CPI da Assembleia Legislativa de Minas Gerais). Andrea Lisboa, falou da importância de escrever o livro. “Logo quando aconteceu a tragedia-crime eu queria fazer alguma coisa para essas pessoas, eu precisava fazer algo, mesmo sem ter perdido um parente direto, eu sentia aquela dor destas pessoas”. A autora completou a sua fala, dizendo da importância da sua escrita para acalentar um pouco as famílias e agradeceu o deputado pela oportunidade de poder escrever o livro.

O livro contém relatórios da CPI da ALMG e conta com a participação das famílias com alguns testemunhos em alguns capítulos e homenageia as vítimas do rompimento.

Josiane Melo, também da diretoria da AVABRUM, destacou que a CPI da ALMG “levantou provas dos delitos de falsidade ideológica, uso de documento falso, homicídio por 270 vezes, lesão corporal dos sobreviventes, danos ambientais qualificados”, além de pedir “o indiciamento de 11 dirigentes e gerentes da Vale S. A. e de dois auditores da Tüv Süd”. A Tüv Süd é uma multinacional alemã que atestou a segurança da barragem.  Para ela, os dois livros servem de subsídio para os trabalhos desenvolvidos pela AVABRUM, que haja punição exemplar pela morte das 272 pessoas e para que tragedias como a de Brumadinho e Mariana nunca mais aconteçam.