Associação participou de atos em Belém para defender justiça socioambiental e preservar a memória das vítimas da tragédia-crime ocorrida em janeiro de 2019
A participação da AVABRUM na COP30 colocou, novamente, em evidência a luta das famílias atingidas pelo rompimento da barragem da Vale, em Brumadinho. As diretoras Nayara Porto e Maria Regina da Silva representaram a Associação na conferência realizada em Belém, onde ampliaram a visibilidade da causa, estabeleceram novas alianças e reforçaram o alerta sobre os impactos da mineração sem limites.
No primeiro dia de agenda, as representantes somaram forças a outros movimentos na Marcha Global pelo Clima para reafirmar a missão da AVABRUM de honrar as vítimas, defender a vida e cobrar justiça socioambiental. No dia 15 de novembro, elas participaram do Funeral dos Combustíveis Fósseis, cortejo que saiu do Mercado de São Brás em direção às imediações da Igreja de Nossa Senhora de Fátima. A caminhada percorreu cerca de um quilômetro e expôs os danos de um modelo energético que segue destruindo territórios, ampliando desigualdades e colocando populações inteiras em risco.

É consenso entre a comunidade científica que mineração em larga escala, sem controle adequado, remove vegetação, contamina rios e compromete a estabilidade do solo. Esses impactos reduzem a capacidade natural dos ecossistemas de regular água e temperatura, o que intensifica secas, enchentes e deslizamentos. Assim, a degradação causada por atividades minerárias amplia a vulnerabilidade climática e eleva o risco de eventos extremos com potencial fatal.
A entidade também marcou presença na Cúpula dos Povos, na Universidade Federal do Pará, onde as diretoras acompanharam debates, dialogaram com movimentos de diversos países e participaram da cerimônia de encerramento. A articulação reforçou a importância de unir vozes que lutam pela proteção de direitos e pela responsabilização de grandes corporações.
A repercussão da pauta de Brumadinho cresceu com a atenção de veículos locais, nacionais e internacionais. Nayara e Regina concederam entrevistas para meios como, TV Liberal, afiliada da TV Globo em Belém, a Folha de S. Paulo e outros portais da cidade.
Durante agenda na Blue Zone, Nayara Porto falou pessoalmente com o presidente da COP30, André Correa do Lago. No encontro, Nayara apresentou a luta da Associação para o presidente e agradeceu pela oportunidade de propagar a causa em solo internacional, administrado pela ONU.
As representantes foram recebidas pela deputada federal alemã Charlotte Neuhäuser, do partido Die Linke e da Fundação Rosa Luxemburgo no Brasil e no Paraguai, que declarou apoio à AVABRUM e defendeu o fortalecimento da fiscalização ambiental.

A agenda em Belém incluiu ainda participação no projeto “A Natureza está Chamando”, iniciativa da Fundação Telefônica Vivo na Green Zone da conferência. O encontro reuniu agentes de mudança de várias áreas para discutir preservação ambiental, memória, justiça e a urgência de decisões responsáveis para proteger vidas. As diretoras da AVABRUM compartilharam relatos sobre os impactos do rompimento e reforçaram que cuidar do planeta significa cuidar das pessoas. Cada escolha, segundo elas, importa para impedir tragédias e garantir segurança às comunidades.
Para Maria Regina da Silva, vice-presidente da AVABRUM, a presença na COP30 cumpre papel estratégico ao inserir a pauta de Brumadinho em espaços globais de decisão. “Nosso recado foi dado durante a Conferência do Clima. Foi muito importante estarmos presentes. Se a mineração continuar descontrolada e visar apenas o lucro, vão acontecer cada vez mais eventos climáticos que levarão à morte de outras pessoas”, afirmou.
Nayara Porto, presidente da Associação, reforça que o crime de Brumadinho não pode se repetir e que a atenção internacional é fundamental para que a pauta avance. “A COP30 mostra ao mundo que vidas estão em jogo. A luta por justiça precisa continuar até que nenhum território sofra outra tragédia evitável,” declarou.



