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AVABRUM encerra missão na Alemanha com ato público em homenagem às vítimas e reforça o clamor por justiça

DIRETORIA AVABRUM

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Comitiva realizou homenagem na praça Odeonsplatz, em Munique, um dos marcos históricos da cidade, e destaca a luta das famílias por verdade e responsabilização

A comitiva formada por membros da AVABRUM e do Instituto Cordilheira participou, nesta sexta-feira (7/11), de um ato público na praça Odeonsplatz, em Munique, em homenagem às 272 vítimas da tragédia-crime de Brumadinho. O local, cercado por edifícios históricos, foi escolhido por simbolizar resistência e memória. Às 12h (horário local), os nomes das vítimas foram lidos em voz alta, seguidos do acendimento de velas e um minuto de silêncio. A cerimônia contou com o apoio do músico Magno Estevam, natural de Salvador (Bahia) e residente na Alemanha, que acompanhou o tributo com uma apresentação especial.

O ato encerra a agenda da comitiva da AVABRUM e do Instituto Cordilheira na Alemanha, marcada por encontros, homenagens e articulações em defesa das famílias atingidas.

Um dos pontos de destaque durante as agendas desta semana foi a participação da comitiva no grupo de trabalho “Quem representa quem?”, dentro da conferência “Contra-poder e contraestratégias em cadeias de valor transnacionais”.

O encontro tratou sobre quem tem legitimidade para falar em nome das vítimas e como fortalecer laços de solidariedade entre Norte e Sul. A pesquisadora Carolina Vestena, da Universidade de Kassel, e integrante do projeto sobre lutas jurídicas, apresentou a atuação da AVABRUM e do Instituto Cordilheira como exemplo de organização das famílias e de articulação com redes internacionais por justiça.

Nas falas dos diretores da AVABRUM, Josiane Melo e Sérgio Amaral, foi destacada a importância da atuação sindical comprometida com a defesa da vida e da dignidade do trabalho. Experiências apresentadas na conferência mostraram que, em diversas cadeias produtivas ao redor do mundo, sindicatos têm assumido papel essencial na busca por justiça, na preservação da memória das vítimas e na prevenção de novas tragédias. Esse engajamento reforça a necessidade de ampliar alianças e fortalecer redes que apoiem a luta das famílias de Brumadinho por verdade e responsabilização.

Na conferência pública, a AVABRUM também prestou homenagem às vítimas de Brumadinho e reafirmou o compromisso de evitar novas tragédias. A comitiva agradeceu o apoio do Instituto Cordilheira e de organizações como Misereor e ECCHR, que possibilitaram o acompanhamento do processo criminal contra a TÜV Süd. Sete anos após o rompimento, o caso segue sem decisões concretas na Justiça alemã. O Ministério Público mantém silêncio sobre as ações civil e penal, o que impede as famílias de acessar informações e reforça a sensação de invisibilidade institucional.

Ao compartilhar essa trajetória diante de pesquisadores e organizações internacionais, AVABRUM e Instituto Cordilheira reforçaram que representar exige compromisso com a verdade e com quem perdeu tudo.

“Estamos longe de casa, mas não estamos sozinhos. Cada vez que contamos o que aconteceu em Brumadinho, afirmamos que nossas vidas valem mais que qualquer minério. Não viemos pedir piedade, viemos exigir respeito, justiça e responsabilidade”, disse Josiane Melo.

Entenda o processo criminal na Alemanha 

O processo criminal contra a empresa alemã TÜV SÜD, em tramitação na Justiça de Munique desde 2019, é resultado direto da atuação da AVABRUM em parceria com o Centro Europeu para os Direitos Constitucionais e Humanos (ECCHR), a Misereor e a rede KoBra. A prescrição do processo criminal aberto contra a empresa e os envolvidos no rompimento só acontece em 2029, quando o crime completa 10 anos.

A ação busca responsabilizar a certificadora que atestou a estabilidade da barragem da Vale em Brumadinho, mesmo ciente dos riscos de colapso. Quatro meses após a emissão do laudo, em 25 de janeiro de 2019, a estrutura rompeu-se e provocou a morte de 272 pessoas. Desde então, a associação retorna anualmente à Alemanha para cobrar celeridade no julgamento e sensibilizar autoridades, instituições públicas e a sociedade civil sobre a gravidade do caso.

As investigações da Polícia Federal e do Ministério Público de Minas Gerais indicam que a TÜV SÜD tinha conhecimento das falhas estruturais da barragem e, ainda assim, manteve a certificação sob pressão da mineradora. Documentos oficiais e trocas de mensagens recuperadas pelas autoridades mostram que técnicos da empresa reconheceram que o fator de segurança estava abaixo do limite exigido, mas optaram por não suspender as atividades. Para a AVABRUM e suas entidades parceiras, o caso simboliza a urgência de fortalecer normas de responsabilidade corporativa internacional e de assegurar que empresas estrangeiras respondam por decisões que impactam diretamente vidas humanas e o meio ambiente.

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