Encontro ampliou diálogos entre AVABRUM e universidades públicas e fortalece a defesa da vida e da verdade sobre o crime da Vale
O Memorial Brumadinho recebeu na última semana pró-reitores de extensão de universidades públicas brasileiras para uma visita ao espaço e para um encontro com a diretoria da AVABRUM. Além da presidente Nayara Porto, estiveram presentes as diretoras Kenya Lamounier, Jacira Francisca, Josiane Melo, Edi Tavares e Iracema de Oliveira. A atividade integrou a programação do Encontro Nacional do Forproex e representou, para a Associação, mais um passo essencial no esforço de ampliar o alcance da verdade sobre o rompimento da barragem da Vale e de afirmar a importância da memória como instrumento de transformação social.
Durante a roda de conversa, os familiares destacaram a necessidade de fazer a verdade circular para além das fronteiras de Brumadinho. A diretora da AVABRUM, Kenya Lamounier, que perdeu seu esposo Adriano Lamounier na tragédia crime, reforçou que a troca com universidades assume caráter estratégico para romper a tentativa de apagamento da história. Segundo ela, “a voz da AVABRUM precisa chegar lá fora. A Associação precisa realizar essas trocas para fazer essa história reverberar e mostrar realmente o que foi esse crime da Vale”.
Kenya também ressaltou que a visita representou uma oportunidade para apresentar de forma direta a dimensão das violações sofridas. “A universidade abre as portas para dialogar e para permitir que a sociedade conheça um pouco mais da história. Quando a gente conhece a história, a gente pode fazer escolhas melhores”. Ela afirmou que a AVABRUM segue firme e que a responsabilização é condição essencial para qualquer discussão posterior sobre caminhos de reconstrução.
O encontro também reforçou o papel das universidades na formação de cidadãos mais críticos e conscientes dos impactos sociais, ambientais e econômicos da mineração. Para a AVABRUM, inserir este tema na agenda acadêmica amplia a capacidade da sociedade de reconhecer riscos, cobrar responsabilização e formular políticas que coloquem a vida acima do lucro. Kenya destacou essa convergência ao afirmar que “a universidade tem esse papel de transformação, como o Memorial também tem. É uma troca necessária para a construção de um futuro melhor”.
Ao final da visita, pró-reitores e familiares compartilharam a convicção de que a colaboração entre universidade, Memorial e AVABRUM deve se intensificar. Cada diálogo amplia caminhos para enfrentar narrativas que relativizam o crime. Cada escuta aproxima novas vozes da luta por justiça. Cada visita fortalece o compromisso de manter viva a memória das 272 vítimas, honrar suas histórias e impedir que outro território seja marcado pela mesma dor.
O pró-reitor de extensão da UFMG, Glaucinei Corrêa, destacou a relevância da visita da comunidade acadêmica ao Memorial Brumadinho e comemorou a oportunidade de fortalecer o diálogo sobre a tragédia-crime e todos os seus desdobramentos. “Esse encontro nos mostrou a importância desse lugar e do trabalho da AVABRUM. O que aconteceu em Brumadinho foi um crime e precisamos lutar por essas famílias, por essas vítimas, afinal, esse episódio foi um marco na história do Brasil”, afirmou.
A presença de representantes de instituições de ensino superior em Brumadinho fortalece a relação construída pela AVABRUM com pesquisadores, educadores e estudantes, que se tornam multiplicadores de conhecimento e aliados na defesa da vida. Ao abrir as portas para o meio acadêmico, o Memorial reafirma o papel de irradiar informação qualificada sobre o crime que matou 272 pessoas e expôs ao mundo a violência de um modelo de mineração que ignora riscos, destrói territórios e provoca danos profundos a comunidades inteiras.



