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Vozes que a lama não calou revelam novas camadas da tragédia-crime de Brumadinho

DIRETORIA AVABRUM

DIRETORIA AVABRUM

29 de janeiro de 2026

Relatos inéditos de 10 sobreviventes e familiares expõem o drama de tudo que viveram em vídeos que fazem parte da campanha “Amanhã pode ser tarde”

Mesmo após sete anos em pauta no debate público nacional, a tragédia-crime de Brumadinho ainda guarda relatos desconhecidos do grande público. Novas narrativas seguem emergindo, revelando ângulos ainda desconhecidos sobre o fatídico dia 25 de janeiro de 2019, em que 272 pessoas morreram após o rompimento da barragem da Mina da Vale em Córrego do Feijão.

São histórias contadas por trabalhadores que escaparam por segundos e familiares que perderam filhos, irmãos e companheiros. Depoimentos que ajudam a reconstruir não apenas o cotidiano anterior ao crime, mas também a percepção de risco ignorada pela mineradora. Relatos que demonstram que mesmo com o passar dos anos, a dimensão humana do crime segue longe de ser plenamente compreendida.

Um dos casos mais impressionantes é o de Leandro Borges Cândido, que trabalhava como operador de máquinas no carregamento dos vagões que transportavam minério de ferro. Naquele dia, ele percebeu que a locomotiva se moveu repentinamente e, em seguida, vagões começaram a “voar”. A lama o prendeu dentro da máquina que ele pilotava. Sem conseguir respirar, acreditou que morreria ali. Foi retirado com vida depois que colegas enxergaram apenas a ponta de sua cabeça sob o rejeito. “Eles acharam que era um corpo”, relembra. Ao ser salvo, ouviu a frase que ainda ecoa: “acabou, morreu todo mundo”.

A mesma sensação de fim absoluto marcou a sobrevivência de Sebastião Gomes. Funcionário da Vale e estudante de engenharia ambiental, ele estava em atividade quando ouviu um estrondo comparável a uma explosão. Arrastado dentro de uma caminhonete, cercado por destruição e silêncio, Sebastião descreve o momento como uma ruptura definitiva. “A gente nunca tinha visto uma monstruosidade daquela”, afirma. Sobreviver, para ele, trouxe outra batalha: conviver com a memória diária do crime e com a frustração de esperar pela justiça.

Enquanto alguns escaparam por segundos, outros perderam aquilo que dava sentido à vida. Carlos Antônio sobreviveu, mas viu o filho ser engolido pela lama. Emocionado, ele lembra que ajudou a resgatar dezenas de trabalhadores que fugiam correndo do local e afirma que os sinais de risco eram conhecidos da empresa. “Maquiaram a barragem. Assumiram o risco de matar aquelas pessoas”, denuncia.

Essas histórias não são isoladas. Elas se cruzam no mesmo ponto: a certeza de que o crime poderia ter sido evitado e a convicção de que a impunidade prolonga a tragédia. É nesse contexto que a AVABRUM, desde 2019, reúne familiares e sobreviventes que transformaram o luto em luta para manter viva a memória das 272 vítimas e pressionar por responsabilização e não repetição.

Em 2026, data que marca os 7 anos do rompimento da barragem da Vale, a campanha “Amanhã Pode Ser Tarde” elegeu destacar a luta por justiça e trabalhar com vídeos na linha documental, ouvindo sobreviventes que trouxeram relatos de onde estavam na hora da tragédia e como estão hoje, depois de todo o drama vivido. O foco dessa campanha é levar um alerta à sociedade sobre a gestão e prevenção de risco no ambiente de trabalho, ressaltando a importância da prevenção e da responsabilização de todos os envolvidos.

Ao tornar públicos esses relatos inéditos, a associação reforça que enquanto houver verdades soterradas e responsáveis sem punição, a tragédia-crime continua. “Dar voz a essas novas narrativas é um passo essencial para romper o silêncio, preservar a memória e reafirmar que justiça não é favor, é direito”, destaca Nayara Porto, presidente da AVABRUM.

A série ainda deu origem ao vídeo institucional da AVABRUM, com a abordagem Justiça Já. Clique aqui para assistir.

Abaixo o nome dos 10 participantes e o link de acesso aos vídeos:

Você pode acessar também a playlist completa da série, clicando aqui.

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