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Fé, memória e cobrança por justiça marcam ato de encerramento da semana dos 7 anos do crime da Vale em Brumadinho

DIRETORIA AVABRUM

DIRETORIA AVABRUM

28 de janeiro de 2026

Romaria ecológica e ato público reuniram população, movimentos sociais e familiares em cerimônia na praça Saudade das Joias

O ato que encerrou a semana de mobilizações pelos sete anos da tragédia-crime da Vale em Brumadinho reuniu milhares de pessoas no Centro da cidade, neste domingo (25). O evento contou com ampla participação popular e foi conduzido pela AVABRUM, com presença dos familiares das vítimas, de movimentos sociais, entidades religiosas e organizações ligadas à defesa dos atingidos por barragens.

O ato do domingo fechou uma semana intensa de realizações, marcada por ações de mobilização popular, reflexão política, expressão cultural e espiritualidade. A programação incluiu adesivaço nas ruas da cidade, pedal em memória das vítimas, caminhada e abraço simbólico ao Córrego do Feijão, seminário Memória e Resistência por Justiça, painel nacional com associações de vítimas de grandes tragédias do país, concerto musical na Praça das Joias, carreata em memória das 272 vítimas e momentos de oração comunitária. As atividades reforçaram a denúncia da impunidade e ampliaram o diálogo com a sociedade sobre responsabilização e não repetição.

A manhã do domingo teve início com missa campal na Praça Orides Prado Parreiras, celebrada por Dom Francisco de Oliveira, bispo da Diocese de Sete Lagoas. A celebração reuniu moradores de Brumadinho, familiares das vítimas e representantes de dezenas de movimentos sociais de várias regiões do país. Em sua fala, o bispo ressaltou a memória como compromisso coletivo e a justiça como caminho indispensável diante de crimes que destroem vidas, territórios e o meio ambiente.

Após a missa, os participantes seguiram em romaria ecológica até a Praça Saudade das Joias. A caminhada levou pelas ruas da cidade a imagem de Nossa Senhora da Abadia, em um percurso marcado por orações, silêncio e manifestações de solidariedade. A romaria reafirmou a recusa ao esquecimento e a necessidade de responsabilização pelos danos causados.

Foto por Ísis Medeiros | AVABRUM | Projeto Legado de Brumadinho

 

Na Praça das Joias, a AVABRUM coordenou a cerimônia central do dia. Um dos momentos mais marcantes foi a leitura dos nomes das 272 vítimas da tragédia-crime. A cada nome citado, o público respondeu em coro “presente”, em um gesto coletivo de memória e afirmação da dignidade de cada vida perdida. Houve ainda um destaque especial para os nomes das duas vítimas que seguem não encontradas, o engenheiro mecânico Tiago Tadeu Mendes da Silva e a estagiária Nathália de Oliveira Porto Araújo, lembrados com silêncio e profunda comoção.

O ato contou também com apresentação da Orquestra do Corpo de Bombeiros, um momento ecumênico com diferentes expressões religiosas e a soltura de balões às 12h28, horário exato do rompimento da barragem em 2019. O instante foi acompanhado por forte emoção entre familiares, integrantes da diretoria da AVABRUM e apoiadores, que se abraçaram em homenagem às vítimas.

Foto por Ísis Medeiros | AVABRUM | Projeto Legado de Brumadinho

No palco, a diretora Maria Regina Silva fez uma fala firme direcionada ao poder público municipal, com cobrança direta à Prefeitura de Brumadinho por mais apoio às famílias atingidas e às ações da Associação. “A cidade precisa assumir essa responsabilidade. A dor permanece e a luta também. Sem apoio concreto, a justiça se afasta ainda mais”, afirmou.

A presidenta da AVABRUM, Nayara Porto, falou visivelmente emocionada e destacou o esforço cotidiano da Associação. Ela pediu maior envolvimento da população de Brumadinho com o trabalho da entidade. “Nós não recebemos salário para estar aqui. O que nos sustenta é a memória dos nossos familiares e o compromisso com essa cidade. A gente precisa do apoio de Brumadinho para seguir firme”, declarou.

O ato teve ainda caráter informativo. Os advogados Pablo Martins e Danilo Chamas, do Instituto Cordilheira, atualizaram o público sobre a ação penal contra a Vale. Danilo Chamas reforçou a importância da presença dos familiares nas audiências de instrução que começam em fevereiro, no TRF6, em Belo Horizonte. “Há um espaço reservado para os familiares acompanharem as audiências. É fundamental ocupar esse lugar, estar presente e mostrar que esse processo tem rostos, histórias e vidas interrompidas”, destacou.

Encerrando o ato, a diretora da AVABRUM, Iracema de Oliveira, ressaltou o significado da mobilização. “Atos como este impedem que a memória seja apagada. Enquanto lembrarmos cada nome, cada história e cada ausência, a injustiça não terá sossego. A memória é a nossa forma de resistência”, afirmou.

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